segunda-feira, 13 de março de 2023

Odeere abre inscrições para cursos sobre relações étnicas e de gênero

 




Odeere abre inscrições para cursos sobre relações étnicas e de gênero


Até o dia 21 de março, estão abertas as inscrições para cursos de extensão promovidos pelo Órgão de Educação e Relações Étnicas (Odeere), campus de Jequié. Os temas das atividades são: “Gênero, Raça e Diversidade Sexual”, que busca discutir diferenças, discriminações e violência que acometem mulheres e comunidade LGBTTQIA+; “Educação Escolar Quilombola”, que focará nos elementos simbólicos de diferentes grupos étnicos; e “Saúde da População Afro-brasileira”, que abordará a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra; e “História e Cultura Afro-brasileira”, com foco nos estudos sobre a história de populações africanas e afro-brasileiras.

Serão distribuídas 100 vagas para cada curso, com carga horária de 180 horas. As atividades serão realizadas em módulos mensais, em um sábado e um domingo por mês, com algumas exceções conforme cronograma de aulas. O primeiro módulo começa no dia 24 de março, em conjunto com o 18º Encontro de Combate à Discriminação Racial.

Os alunos dos quatro cursos deverão participar da 19ª Semana de Educação da Pertença Brasileira, de 16 a 20 de novembro de 2023. A participação no evento faz parte de um dos módulos dos cursos.

As inscrições podem ser feitas nos links disponibilizados acima. Para mais informações, entre em contato com o Odeere pelo telefone (73) 3526-8669 ou pelos e-mails odeere@uesb.edu.br e extensao.od2015@gmail.com.

Fonte: http://www.uesb.br/noticias/odeere-abre-inscricoes-para-cursos-sobre-relacoes-etnicas-e-de-genero/

segunda-feira, 15 de junho de 2020





Escola em tempos de Pandemia, seguimos elaborando rotinas e tentando diversificar o repertório de atividades respeitando as particularidades e a condição emocional em cada trecho desta travessia. Qual o seu maior desafio neste processo de mediar os estudos em casa?

Travessias

Reflexões sobre Educação

em Contextos de Quarentena e Isolamento Social

 

Refletindo sobre o rumo que a humanidade precisou tomar nesta pandemia e dos desdobramentos deste fato na educação pensei muito sobre a minha caminhada pela escola e como este espaço é vital em nossa construção humana.

Lembro-me da infância marcada por uma ânsia de falar, questionar a realidade e meu pai muitas vezes me repreendia: - “você é muito respondona”... e de fato era, por questionar, requerer direitos, reivindicar espaços, sempre acreditei que viver era desafiar as circunstâncias, minhas professoras valorizavam esta característica peculiar.

Minha família? Éramos cinco, meu pai, Paulo Vidal de Moura, minha mãe, Zenaide Santana Correia e as irmãs, Andreia, a caçula, Gabriela, a irmã do meio, a que carrega a síndrome do nome eternizada por Jorge Amado e que virou Modinha para Gabriela por Dorival Caymmi. O meu posto era o da irmã mais velha,  Meu pai era analfabeto, mal escrevia o próprio nome, minha  mãe estudou até a antiga quarta-série e sempre se orgulhou de ter "alfabetizado"  as filhas antes  de iniciar a escolarização, era muitas leituras, contações de histórias, a risca seguindo a velha cartilha amarelada que ganhou do filho da antiga patroa. Eu acredito que ela foi a minha principal inspiração pela opção em cursar o magistério e iniciar minha trajetória pela profissão docente em 1997.

Me remeto sempre ao discurso do Patrono da Educação Brasileira, o  Mestre e Educador Paulo Freire, na entrevista concedida à revista italiana Terra Nuova , Freire descreve sua experiência pessoal, sua compreensão sobre o processo de tornar-se educador, afirmando que: “Ninguém começa a ser educador numa certa terça-feira às quatro horas da tarde. Ninguém nasce educador ou marcado para ser educador. A gente se faz educador, na prática e na reflexão sobre a prática”.

Hoje, passados vinte anos de caminhada profissional na educação, passando pela rede privada, rede pública, da Educação Infantil a Universidade, eu nunca enfrentei um contexto como atual.

Uma pandemia alastrada pelo planeta colocou a humanidade no movimento inverso da vida cotidiana, o isolamento em casa, com exceção dos serviços essenciais e principalmente os profissionais da saúde.

Já a escola precisou fechar as portas para garantir segurança e saúde a sua comunidade e a população em geral, os decretos publicados numa sexta-feira, 20 de março de 2020, no Estado da Bahia decretou a suspensão das aulas na rede pública e privada. As recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) para que a curva de contaminação do vírus fosse controlada  evitando um colapso ainda maior como superlotação dos leitos hospitalares e UTIs foram a quarentena e o isolamento social.

Uma inquietude surgiu, as escolas reuniam-se virtualmente na tentativa de criação de estratégias remotas para manter o vínculo com os estudantes, potencializar a atividade cognitiva e fortalecer os laços entre as famílias e a escola.

As escolas publicas , Secretarias Municipais e Estaduais de Educação traçaram seus planos de ação considerando que aulas remotas seria incompatível com a realidade da rede pública visto que, um percentual significativo de estudantes não teria acesso a internet, smartphones.

As comunidades rurais, ribeirinhas, periferias, não poderiam em sua maioria acessar aulas e muito menos criar uma agenda de estudos paralela muitas vezes, a rotina da fome, da doença, da escassez, da miséria, violência e morte que  assolam e marginalizam as minorias sociais neste país em pleno século XXI.

As escolas da rede privada então negociaram com as famílias, algumas suspenderam mensalidades da Educação Infantil, outras ofereceram descontos de até 80% e criaram alternativas por meio de canais no youtube, plataformas virtuais e contratos assinados como Google for Education.

Por outro lado, um movimento foi crescendo ao ponto de plataformas de ensino cujos donos são as grandes multinacionais, que tratam a educação como mercadoria, espalharem ou melhor, venderem a ideia que “na crise, toda educação será online,” comercializam pacotes prontos, enlatados, a lógica do mercado financeiro , assegurar o lucro acima de tudo e de todos, perpetuando a desigualdade e a exclusão.

Comungo do entendimento que estratégias de motivação e engajamento são de suma importância para o que for possível alcançar. A entrega de atividades impressas, apostilas junto com os kits de alimentação escolar (cestas-básicas) alternativas que emitam ao estudante a mensagem “ Estamos juntos, nos importamos com vocês, de fato não soltaremos as mãos, ainda que os laços sejam meramente virtuais.

Acredito que, nada substitui a presença física, interação, a troca, a sinestesia do olhar, da audição, da criatividade, do calor humano. Neste momento a nossa melhor estratégia, é a  que presa pela manutenção da saúde biopsicossocial e  manutenção da vida.

Superada esta travessia, a pandemia controlada, uma vacina testada e aprovada, a população imunizada “com fé em Deus”, e a vida nos oportunizar os encontros, o diálogo olho no olho, a soma dos melhores  afetos e abraços, podemos então juntar as mãos solidárias e os cérebros criativos para reinventar a vida, os sonhos e as possibilidades, fazendo vivo o legado freireano,  a educação como práxis libertadora, como instrumento de  luta por equidade e justiça social. Portanto, se for possível, fica em casa.

O caminho da resistência assertiva nesta travessia é a “pedagogia da esperança” no reencontro contínuo da “pedagogia do oprimido”. Paulo Freire, Presente.

 

Fabiana Correia Moura, Pedagoga, Mestre em Educação Científica, Especialista em Direitos Humanos, Neuropsicopedagoga, Palestrante e Coach Educacional Meu Dever de Casa.

 

 

 

 

 


Travessias em Educação


 
Travessias: História de Vida e Formação
 
Sou Fabiana Moura, natural de Jequié, interior do estado da Bahia, Professora desde 1999. Por isso aqui me apresento neste reencontro com a minha história de vida e formação. 
 
 Com o intuito de apresentar minha trajetória de formação acadêmica e profissional e o processo de construção da minha jornada profissional, reservo-me ao direito de usar a primeira pessoa do singular nesta apresentação, contudo, em outros momentos ou posts utilizo a primeira pessoa do plural, por reconhecer que a construção deste percurso é resultado do trabalho conjunto de minha pessoa, e de todos e todas que me permitiram experienciar a vida entrelaçada em suas travessias.
Ao concluir o ensino fundamental em 1996, fui matriculada no Instituto de Educação Regis Pacheco na modalidade do Magistério de Nível Médio, pois, além da empregabilidade, meus pais consideravam a docência como profissão de máxima honra.
 
Durante esta formação entre os anos de 1997 a 1999, identifiquei-me com as leituras filosóficas, sociológicas, mas a leitura da obra de Paulo Freire foi marcante, Pedagogia do Oprimido foi um divisor de águas em minha história,  estabeleci o primeiro contato com o pensamento freireano por meio das leituras e discussões fomentadas pelos docentes, sendo marcante dentre todos os , a professora Cássia Brandão, ali
foi apenas o começo de uma jornada de crescimento, resistência e transformação. Era o nascimento de um propósito maior, a construção de um legado.  
 
Minha primeira experiência com a docência na EJA ocorreu durante o estágio de regência, logo surgiram algumas inquietações. Questionava-me a respeito da metodologia de trabalho e da seleção dos conteúdos apropriados à realidade do estudante desta modalidade.  Ainda cursando o magistério, no ano de 1998, fui selecionada para substituir uma professora em uma escola particular, na qual fui admitida logo após a conclusão da formação. Minha primeira experiência como Professora da Educação Infantil e Alfabetizadora, a Escola Vamos Aprender. Em 2004, após a aprovação em vestibular, ingressei no curso de Pedagogia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, campus de Jequié. 
 
Lecionava durante o dia e cursava a licenciatura no noturno. Esta escolha, entre tantos outros motivos, representava a possibilidade de desenvolvimento profissional e aperfeiçoamento. O período da licenciatura foi fundamental no que tange ao aprofundamento de leituras sociológicas, filosóficas, bem como no campo da história da educação, que me permitiram construir conhecimentos e fundamentar minhas escolhas, orientações políticas e ideológicas numa perspectiva crítica.
 
Concluindo a graduação no ano de 2008, prestei concurso público, fui aprovada para o cargo efetivo de professora do município de Poções onde atuo até o presente momento. Por quatro anos letivos consecutivos, atuei na Educação do Campo e na EJA. Em 2010, ao trabalhar com a disciplina de Ciências Naturais, a experiência propiciou a percepção de algumas problemáticas relacionadas com esta área do conhecimento.
 
Embora procurasse estudar o conteúdo, buscar meios de formação, a contextualização era bastante limitada, pois eu não dispunha de uma formação específica na área e de reflexões teóricas do campo, especialmente para a EJA. Na busca pelo crescimento e desenvolvimento profissional, cursei duas especializações: Gestão e Educação Ambiental, (2010 – 2011) e Direitos Humanos e Democracia (2012 – 2013).
 
Percebia cada vez mais a necessidade de avançar na carreira como profissional da docência e me interessei em pensar sobre Ensino de Ciências, Formação de Professores e a importância de práticas contextualizadas no âmbito da EJA. Com a aprovação no PPG-ECFP na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, resgatei inquietações que surgiram desde o magistério, originando um projeto de pesquisa com o objetivo de analisar os entendimentos de professores de Ciências Naturais que atuam na Educação de Jovens e Adultos (EJA) sobre a perspectiva da problematização no Ensino de Ciências elucidados durante uma ação de formação continuada desenvolvida com professores de Ciências, no município de Poções – Bahia.
 
O desenvolvimento do projeto resultou na dissertação, de Mestrado em Educação Científica e Formação de Professores. Concluído o Metrado em 2017, continuamos esta travessia na docência, em treinamentos busquei atravessar novos campos de atuação. Na experiência como Assessora Pedagógica da Faculdade de Tecnologia e Ciências em Jequié, hoje (UNIFTC) conheci a metodologia do Coach, da Pedagogia Empresarial e do Conceito de Educação por Competências no Ensino Superior, adentrei ao campo da Psicopedagogia e da compreensão do universo vasto do neurodesenvolvimento.
 
Em 2017, prestei concurso público para Coordenadora Pedagógica da Rede Estadual de Educação e aprovada e lotada no Colégio da Polícia Militar em Jequié-Bahia e neste locus profissional desenvolvo o momento presente na Pedagogia e continuo a lecionar História, minha formação por complementação pedagógica e por ser apaixonada pelo componente curricular que leciono desde o ano de 2010 no município de Poções, local onde atuo desde 2008. 
 
Para comemorar 20 anos na docência decidi inaugurar este espaço para dialogar sobre educação. Travessias em Educação é meu, é seu é nosso espaço de entrelaçar nossas vivências. Registro aqui a minha gratidão por esta profissão que mudou minha existência, reconfigurou minha travessia, nela enfrento desafios e elaboro as alegrias, nestas travessias me realizo, vivo o meu propósito existencial.   

 

Fabiana Correia Moura 

Odeere abre inscrições para cursos sobre relações étnicas e de gênero

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